Há mais de duas décadas, em 4 de fevereiro de 2003, o Mídia Sem Máscara publicou este texto. Muitas das questões aqui levantadas, à época vistas por muitos como exageradas ou controversas, agora deixaram de ser apenas hipóteses de debate e passaram a ser percebidas por muitos como uma realidade concreta.
Lentamente, uma mudança muito sutil está em andamento em nossa sociedade. Uma de suas expressões é associar cidadania com as ideologias de movimentos sociais e, em última análise, ao socialismo. Socialismo está se tornando um símbolo que signifique “a compaixão pela má situação do próximo”, o que não quer dizer “ter compaixão pelo próximo”. Nesta nova forma de pensar, a esquerda é o “mocinho” e a “direita”, que está em vias de extinção no Brasil, o bandido.
O mais incrível é como NÃO É importante que a história tenha mostrado e comprovado que o socialismo, nos países em que foi implantado, só gerou mais fome, mais miséria, mais desigualdades, mais mortes, mais enganos e mais guerras civis. Não existe um país socialista no mundo que possa exibir bons indicadores sociais e econômicos e que tenha alcançado um alto grau de desenvolvimento.
O que a esquerda não entende é que não existe a dicotomia entre economia e a sociedade, pois, uma não existe sem a outra. A busca pelo desenvolvimento econômico tem que passar pela sociedade, pois, não existe sociedade economicamente desenvolvida sem o necessário desenvolvimento social, pois, a pergunta inevitável seria: Prosperidade para quem? Daí vem o grande erro do socialismo e do comunismo instalado na ex-URSS, pois nem o “coletivo” e nem o cidadão se beneficiam do progresso econômico perseguido por um Estado que não tem no bem-estar do indivíduo o seu objetivo. Obviamente, uma sociedade como essa, artificialmente estruturada, não possui os mecanismos necessários para a sua sobrevivência e perpetuação.
A busca pelo desenvolvimento social tem que passar pela economia, pois não existe sociedade socialmente desenvolvida sem o necessário progresso econômico, pois, a pergunta inevitável seria: é possível o bem-estar social que ignore a prosperidade?
A sociedade brasileira (e mundial) parece estar “anestesiadamente” insensível às sucessivas demonstrações que o capitalismo faz diariamente: ele mostra e comprova que, mesmo com suas contradições e imperfeições, foi ele quem trouxe mais desenvolvimento e riquezas para todo o mundo nos últimos 200 anos. Basta navegar no site da ONU para se certificar desta verdade.
Quanto às economias socialistas, bem, algumas aderiram ao capitalismo e estão em um processo de transição. Outras, mesmo em seu apogeu, não conseguiram, contraditoriamente, estender ao cidadão que pretendia proteger os poucos benefícios alcançados e estão patinando até hoje.
Infelizmente, mais pessoas estão engrossando o coro de que este último mundo citado é, além de possível, ideal, tal qual Shangri-Lá.
Por Robson Caetano.
Publicado no website Mídia Sem Máscara, em 4 de fevereiro de 2003.
Nota da editoria:
A imagem da capa é um recorte da obra: “O Sonho” (1910), de Henri Rousseau (1853–1919).
Sobre a imagem e sua escolha:
A obra representa uma cena onírica, marcada por uma atmosfera de harmonia, exuberância e idealização. A escolha desta imagem busca dialogar com um dos temas centrais do artigo: a tendência humana de imaginar sociedades perfeitas, livres de conflitos e contradições.
Assim como a referência a Shangri-Lá presente no texto, “O Sonho” evoca a ideia de um mundo idealizado, uma realidade desejada que, quando transportada para a esfera política e social, exige uma reflexão cuidadosa sobre os limites entre aspiração e realidade.










